sexta-feira, 6 de setembro de 2019

FEIRA VEGANA AGROECOLÓGICA


No dia 08 de setembro irá ocorrer a Feira Vegana Agroecológica em Amargosa, a partir das 9h, no estacionamento do Colégio Estadual Pedro Calmon.

A realização desta Feira é uma iniciativa de pessoas da sociedade civil, reunidas a fim de incentivar e educar a comunidade sobre a cultura vegana agroecológica, uma que tenta excluir ao máximo de seu modo de vida e de suas práticas qualquer forma de exploração animal.

A Feira abrigará as mais diversas manifestações culturais, tais como, exposições de artesanatos, sebo de livros, performances poéticas, oferta de massagem terapêutica etc, mas tem como carro chefe a culinária vegana e a agroecologia.

A fim de contribuir com o meio ambiente  organização pede que levem prato, talheres e copo para uso pessoal.

A natureza agradece!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

FEIRA VEGANA COMO ALTERNATIVA CULTURAL


Por Anderson L. Souza

Realizada numa manhã de domingo, a 1ª Feira de Gastronomia e Cultura Alternativa de Amargosa ficou marcada como um momento de atitude coletiva. Apresentamos os benefícios de uma alimentação saudável, tendo como principal foco o “sistema alimentar que se baseia na ingestão exclusiva de vegetais”, vegetarianismo, e no “movimento que defende a não utilização de produtos de origem animal, opondo-se a todo e qualquer tipo de uso ou exploração animal”, veganismo.

A atividade foi produzida por mim, dentro do projeto Escolas Culturais, com a colaboração de algumas pessoas e grupos da cidade. Apesar de termos elaborado uma programação prévia, o evento ocorreu com todas as atrações acontecendo simultaneamente. A exemplo do Sebo Charlie Brown, com Salvador Miranda e Michele Santos, disponibilizando senhas para sorteio de livros e cd’s durante toda a feira. Rosa Ilana e Miguel Reis com os produtos naturais Katu, levaram cosméticos veganos, chás de ervas medicinais e a aplicação da massagem ayurvédica. Maria Luiza Santana, uma das colaboradoras da COOAMA, mostrou uma diversidade de plantas ornamentais. Ana Almeida Artesanatos expôs peças variadas em biscuit, almofadas, bonecas de pano, sandálias e outras lembranças da cidade. A Prof.ª Polianna de Oliveira e o aluno Diego Grecco, ambos do CETEP, informaram sobre os valores nutricionais das frutas, verduras, grãos, oleaginosas e hortaliças que estavam à mostra. A turma do Boi Vivo, com Fabrícia e Maiara Reis, contribuíram com sorvetes, picolés e salgados feitos com ingredientes derivados de produção orgânica.

A Prof.ª Geovana Monteiro, uma das idealizadoras da ação e principal ativista da causa da liberação animal, juntamente com as professoras Iranildes Delfino e Eliene Macedo, produziram todos os outros alimentos e bebidas disponíveis para a degustação gratuita que seguiu a ordem de café da manhã, almoço e sobremesa. Além disso, montaram uma banca contendo livros, revistas, produtos disponíveis nos mercados que não são testados em animais e outros materiais didáticos referentes ao tema do evento, à disposição do público para consulta, bem como uma TV exibindo vídeos sobre o uso de animais em testes científicos.

Tony Sales, Thomas Leal, Gil Almeida, Altino Jr. e outros músicos presentes na ocasião, executaram diversas músicas do conhecimento popular. A cobertura fotográfica ficou por conta de Ylana Cavalcante, aluna do curso de filosofia do CFP/UFRB. Contamos também com o apoio da prefeitura, bem representada pelo professor Carlitos Muñoz. Ao final, contamos com a colaboração do público, juntamente com todos os participantes da feira, no desmonte das barracas e arrumação das ferragens no veículo que fez o transporte para os devidos locais de origem.

Fazendo uma breve avaliação sobre os pontos positivos da nossa intervenção cultural, posso destacar o fato de termos conseguido informar boa parte da comunidade para um modo de vida que exclui, na medida do possível e do praticável, toda forma de exploração animal através de hábitos alimentares, ambientais e sociais que só trazem benefícios para a coletividade. Oportunizamos a veiculação de produtos e serviços produzidos por artistas, produtores rurais, profissionais da saúde, agitadores culturais e músicos, bem como e exposição da imagem das suas respectivas marcas e empreendimentos. Pudemos também oferecer uma nova opção de entretenimento, utilizando um espaço público pouco explorado, a Praça do Cristo, oportunizando um momento de descontração e contentamento entre famílias, amigos e a população amargosense, contribuindo para a história, a cultura, os hábitos, a economia e a política local. Portanto, é um grande contentamento perceber que este evento foi de grande valia para o município, tanto no que se refere à qualidade dos conteúdos apresentados, quanto aos conhecimentos adquiridos.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

MINHA MÚSICA, MINHA VIDA.


Por Led Beslard

Foi uma grata surpresa para mim, após participar do concurso Solta o Riff, promovido pelo site da revista Rolling Stone Brasil, ter sido selecionado e declarado vencedor da prova. A iniciativa buscava premiar aquele que mandasse um riff marcante e a avaliação tinha como critérios criatividade, originalidade e técnica. Tudo aconteceu muito rápido e despretensiosamente, pois eu não tinha a intenção e o interesse de voltar às redes sociais, uma das condições para participar. Mas, por muita insistência da minha esposa, resolvi gravar e mandar o vídeo com um trecho de uma música composta por mim há mais de 15 anos, chamada “Ninguém”, no último dia do concurso. No final de tudo, isso me trouxe lembranças interessantes de como cheguei até aquele momento.

A música sempre foi minha paixão. Desde criança, ouvia muita música das rádios e dos vinis, inicialmente, por influência de meu pai. Mas não demorou muito para que eu começasse a selecionar um repertório mais particular. Nunca tive preconceitos e botava pra tocar tudo o que me satisfazia musicalmente. Ouvia de Reginaldo Rossi aos sons da orquestra de Paul Mauriat, passando pelos ícones da música erudita. Nascido em Salvador, os primórdios da axé music e do samba reggae baiano, bastante originais e de qualidade notória na época, também foram minhas primeiras admirações. Hoje a qualidade das composições baianas mudou e o meu gosto também.

Até então, eu era apenas um ouvinte, mas que já conseguia distinguir o que queria ouvir ou não, diante da infinidade de materiais que dispunha para apreciar. Após nos mudarmos de um bairro a outro, na pré-adolescência, conheci o som do Guns n’ Roses. Foi amor à primeira ouvida, e também passei a conhecer algumas pessoas que gostavam de rock. Meus pais não aprovavam esse estilo musical e não quiseram comprar o disco da banda, que eu tanto pedia. Lembro-me de passar, praticamente, todos os dias na loja de discos pra conferir se ainda tinha o vinil, até o dia que consegui juntar dinheiro suficiente para comprá-lo. Pronto, tinha em mãos o clássico “Appetite for Destruction”, que não parava de rodar quando eu estava em casa.

Tinha um vizinho, mais velho e mais inteirado na música rebelde, rápida e pesada, que acompanhava músicas do Iron Maiden com um violão. Pirei, e foi então que comecei a me interessar em aprender a tocar um instrumento musical. Ficamos amigos e por intermédio dele ouvia e pegava muitos discos emprestados da sua coleção. E assim, entre diversas coisas antigas e atuais, conheci o som de Hendrix, Sabbath, Zeppelin, o já citado Maiden, Metallica, Megadeth, Testament, Sepultura (e muitas outras bandas nacionais), Skid Row, Alice in Chains, L7, Smashing Pumpkins e Pearl Jam. Mas, a primeira música que aprendi a tocar no violão, que também pagava emprestado com ele, foi “Patience”, do disco Lies, do Guns.

Mesmo adorando aquele novo mundo musical e tendo começado a aprender a tocar algumas músicas das bandas que começava a gostar com intensidade, não me interessei por completo em tentar reproduzir o que ouvia. Busquei colar acordes de maneira desconexa e criar meu próprio som. Tudo era tão distinto entre si, que eu queria ser igual fazendo diferente. Então, nasceu o desejo de montar uma banda.

Foi aí que conheci Luidi Pussente, que já tinha experiência com a bateria e tocava em uma banda cover do Nirvana. Com ele, passei a conhecer muita coisa do chamado som alternativo e progressivo. E quando a banda dele acabou pensamos em tocar juntos. Logo fui apresentado a Frank Gomes, já conhecido de Luidi, que curtia “Doom” e “Black Metal”, mas que em paralelo adorava Red Hot Chili Peppers. Com isso, formamos a banda Êxtase, que contava com Luidi na bateria, Frank no baixo, Neto Dória, um amigo em comum, nos vocais e eu na guitarra. Gravamos uma fita demo, com composições próprias, e passamos a tocar em bares e festivais locais.

Com o tempo, fomos nos aprimorando como músicos, nos dedicando apenas a ensaios frequentes, pois não tivemos aulas formais de música, e o nosso som, ao mesmo tempo que ficava mais rápido e pesado, ganhava mais personalidade. Então, trocamos o nome da banda para Nebória e Badú Bessa assumiu o vocal. Foi o momento musical mais excitante da minha jornada como instrumentista e compositor. Após algumas outras mudanças na formação, a banda se desfez. Tive o prazer de experimentar outros projetos como a Harzoth e de participar da Banda Aluga-se, que fazia cover de Raul Seixas.

Nunca parei efetivamente de tocar, mesmo não estando em uma banda. Fico sempre me distraindo em casa com um violão ou plugando uma guitarra ou baixo no ampli. Em Amargosa, interior da Bahia, conheci e uni forças com a cantora e compositora Laura Juliana, parceria que culminou na produção do clipe da música "Sem Mastigar". Nesse período, montei um espaço cultural chamado Café e Cultura onde, entre diversas manifestações envolvendo arte e educação, aconteciam muitas Jam Sessions. Isso me fez estabelecer contato com excelentes músicos locais, entre eles o guitarrista Diego Morais, os bateristas Joel Kabide e Adno Resende, os percussionistas Tony Sales e Peu Meurray, e muitos outros craques. Ultimamente, tento passear pelas teclas e também tirar uns sons na bateria. Passei a colaborar com outros músicos, produzindo e gravando, ainda de forma amadora, os materiais que eles apresentam. Iniciei o projeto Mandinga Delivery, trazendo canções que mesclam entre o elétrico e o acústico. A música não pode parar.

O fato é que fiquei muito feliz pelo reconhecimento de uma peça artística que diz muito sobre mim. Isso porque tudo que me inspirou, tudo que produzi e compartilhei, é fruto de tudo que ouvi e absorvi durante anos, passando por distintas fases do cenário musical e, imprescindivelmente, pelas relações e experiências que tive com os diversos músicos com quem toquei. Bom, talvez, ter ganhado um prêmio de âmbito nacional seja o mais simples e modesto resumo de tudo que vivi e ainda pretendo viver com a arte que mais me fascina, a música.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

"A ARTE DA ESCUTA"

 

Por Yago Itaparica.

Manhãs de primavera trazem no vento sussurros de poesia. Ouvidos atentos ao silvo que brota das folhas secas caídas, das árvores anciães, de pássaros (mensageiros da natureza), da terra palpitante, surpreendem-se à voz dos bosques. E na sua fisiologia de mato, desatinam a buscar por corpos poéticos, lugares poéticos, vozes poéticas, seres poéticos.

Qualquer dia, numa dessas manhãs, pude presenciar. Algazarra das existências que se transmutam em poetar. Fora manhã cotidiana dessas, precisamente, uma quinta-feira, 13 de dezembro, Amargosa, cidade jardim. Algumas pessoas, despregadas de suas vidas costumeiras, ouviram ser chamadas, nem foram vozes, foram instintos.

Sarau Janela encantada, a arte da escuta. Eis o nome do pequeno ocorrido que reunia, como um vórtice que traga o que lhe margeia, toda sorte de ouvintes. O mais célebre deles, talvez, tenha sido o passarinho azul que, atento às movimentações, pousou no corrimão do coreto onde realiza-se o gracejoso sarau e observava os preparativos.

Pensar em pessoas pra falar de poesia em uma quinta, quem poderia? Há coisas pertencentes de uma esfera dinâmica, pouco se preocupa com praticidades do dia, deixa-se escoar, esquece afazeres, problemas, dores. Assim fora aquela manhã. Manhã da mais saborosa primavera.

Recita, canta, dança, ouve, fala, ri-se. Ai de nós que não nos damos poesia.

Se quisera eu de verdade falar, jamais poderia. Os aconteceres se dão e passam, não há como narrá-los, fidedignos. E se eu assim fizesse, jamais narraria a poesia daquele dia. Veja, como fica… atravancado.

“Na quinta-feira do sarau, quatro pessoas à mesa, falavam de poesia e recitam poesia. Há quem cante e há quem dance. Dois grupos e um artista solo balançando o esqueleto. Intervenções, vozes poéticas, se deixam soar, entonar.”

Vê, parece breve, mas foram mil anos em algumas horas. A palavra não pode narrar. Ai, que pudesse! Seria recriar. A palavra tem seu próprio movimento, outro movimento, diferente do movimento, vida.

Ah, mas uma coisa posso falar, foi dia lindo, dia maroto, dia borboleta e passarinho. Foi, foi dia poesia.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

"PODER E SUJEIÇÃO EM FOUCAULT"



Por Yago Itaparica

Sobre as nossas cabeças as palmeiras dançam ao silvo do vento, mas ninguém as veem, no entanto eu sei que elas existem, assim como sei que essas pessoas estão aqui, pessoas estas que sequer podem vislumbrar esse algo estranho que se aloja descaradamente entre nós. O que há de diferente entre elas e as palmeiras sobre suas cabeças?

Já não sei se eu que sou louco e me perdi entre... essas coisas; isso, que não saberei explicar. Olha pra eles! O que enxergam? Não passam de tolos; eis a única palavra que pode descrevê-los. Não, não é verdade. Alguma coisa de fato é?

Bem, não me dei o trabalho de empunhar uma caneta para tratar de assuntos sem solução. Faço-o para relatar, relatar esse evento deles. Como banal é tudo isso, enfim...

É uma noite de sexta-feira como outra qualquer, a lua paira no céu, mas ninguém a vê, definitivamente. O clima é ameno, o que dá ao lugar ares de drama e perigo à espreita. É a hora perfeita para perder-se do mundo. Na praça matriz, no início da noite, as pessoas montam, sem muita pressa, a pequena feira. Logo mais dois professores de filosofia da Universidade local terão a fala. Graças a este céu estrelado, eles não estão sendo bem entendidos, caso contrário, estragariam algumas vidas. Nós não estamos preparados, ninguém lhes avisou!

Ousaram falar sobre “Poder e Sujeição” na perspectiva do pensamento de Foucault. E veja, em praça pública, isto é, sem dúvidas, uma afronta; a quem? À estrutura social que nos cerca e a esses que as mantêm.

A primeira convidada a falar foi Giovana Temple, uma professora, feiticeira que sabe conjurar muito bem as palavras, o prejuízo que isso pode causar a uma mente atenta e meditativa é aterrador. Cada palavra é uma punhalada, evocando a voz de La Boétie, Foucault, vai descortinando as relações sociais defronte a plateia, que ouve como quem escuta uma canção de ninar, sua macia e graciosa voz esconde temerárias armadilhas, de efeitos controversos; destrancam pesados cadeados em nossa mente. Por trás desse discurso existem camadas de interpretações e entendimentos. Quanto mais fundo chegues, mais desamparado estarás. Se queres uma vida tranquila, sem grandes preocupações e riscos, não a ouça, sujeite-se a uma vida rasa e sem sumo. Mas, se queres caos e perigo constante, entregue-se ao canto da sereia.

Cícero Josinaldo, arguto tal qual a outra, utiliza-se de sua voz como debatedor, cauteloso, ateando querosene na fogueira erguida por sua antecessora, aquela que em outros mundos é conhecida como a voz dos bosques noturnos. Mais alguém pode ver o perigo e a loucura que, se pensarmos conforme esperam de nós, eles representam! A minh’alma eufórica ri, eu vejo o desastre se aproximando, o bonde vem chegando, as chamas queimarão qualquer resquício de debilidade, o fogo arde e queima, corrói e dói, é dor de purificação, é lava que queima no ventre, se queres saber.

O que fizeram de nós? Esses grandes pilares sustentados por poucos tijolos, estes que conduzem o trem no trilho.

É tarde demais, foi feito. Agora ambos se banqueteiam (os professores), frente a um público que recebe apático toda essa problemática. Exceto por alguns que percebem e compreendem esse cubo mágico que lhes é apresentado. Mas e na hora de resolvê-lo, quem tem bravura suficiente para pôr em mãos este ardiloso objeto e sublimar suas consequências?

Tudo ocorreu perfeitamente. A plateia colocara questões, as quais são prontamente respondidas, e a roda deste rodão continua a rodar. As pessoas se deleitam, bem como os comunicadores, evidentemente não da mesma forma. Há um furor profundo nestes últimos. A feirinha ainda é feirinha, as conversas são as mesmas, assim também as pessoas, a praça ainda é bela, embora tenha passado por uma turbulência, poucos a sentiram. O chão sob meus pés ainda treme, amparo-me no cotidiano. Fica tudo bem, todos estão bem, como deve ser. A fogueira acabara de ser apagada. O Café Filosófico foi um sucesso, todos os organizadores estão satisfeitos como sempre, já se ouve os sorrisos, tudo acontece como se nada houvesse ocorrido. Desarruma-se tudo, como tem de ser. 

Acabou o evento, até um próximo.

- No fim das contas, estamos todos perdidos.