Em
2014, compus uma música em homenagem ao meu amigo (que coincidentemente era meu
sogro e, cordialmente, chamava de “meu tio”), o artista plástico Paulo Roberto Nogueira Monteiro, seis meses após seu falecimento.
Constantemente tocava a canção em casa no
violão, mas ainda não havia feito qualquer registro da peça musical.
Recentemente, tive a oportunidade de apresentar parte de esboços da obra dele
na Exposição Virtual Arte em Devir, atração contida no II Encontro Internacional de
Estética, organizado pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Estética – GEPE
(CFP/UFRB), o que me motivou a gravar a música e complementar o material da
página reservada a ele.
Dessa
vez, convidei os amigos Kaká Bass e seu irmão, João Neto, músicos competentes e
bastante conhecidos na cena local, para fazerem algumas linhas de baixo e
piano, respectivamente. Com essas produções coletivas que tenho feito, faz um
tempo, percebo que outros músicos da cidade têm se motivado a fazer o mesmo. Já
estão começando a ter uma ação musical mais efetiva, se unindo em parcerias e
apresentando conteúdos de qualidade.
Para
fazer o vocal comigo, contei com a gentileza da cantora e musicista Camila Carvalho
que, direto de Salvador, fez sua parte e me encaminhou por e-mail. Finalizei o
resultado da gravação com um vídeo simples para ajudar na divulgação, do qual,
infelizmente, Camila não pôde participar. Mas a quem sou muito grato, assim
como a Carlos e Neto, por aceitar o meu chamado para consolidar uma música tão
significativa pra mim, com tanto empenho e habilidade.
Se por um lado, o
período de isolamento social causado pela pandemia da Covid-19, tem trazido angústia,
dor e morte, por outro, tem despertado a criatividade de muita gente. Um caso
recente é o do meu amigo de longa data, Luidi Pussente, que aproveitou o
momento para compor e registrar suas ideias musicais no projeto Lopus.
Na segunda metade dos
anos 90, Luidi e eu começamos a tocar juntos, formamos bandas e depois de anos
tocando bateria ele resolveu mudar o posto e assumiu os vocais em grupos
posteriores. Nessa perspectiva, Luidi escreveu algumas letras, das quais
musicou quatro e, para completar o repertório, adicionou uma nova versão para
“Vibração”, música composta na época da Êxtase, nossa primeira banda em
parceria, finalizando assim um EP intitulado “Eu, Indivíduo...”.
“As músicas surgiram, em sua
grande maioria, de modo intuitivo e expressam bem meus pensamentos e estado de
espírito do momento em que foram criadas, tanto as melodias quanto cada palavra
empregada. As letras retratam momentos e sentimentos os quais experimentei
e que podem ser comuns a outras pessoas também”, esclarece Luidi.
Com toda a produção
feita à distância, Luidi revela que “todo o processo fluiu
naturalmente e com muita dedicação, isso não só de minha parte como idealizador
do projeto, mas também das outras pessoas envolvidas, como Louis Den (Baterista
e Produtor Musical), Vini Monkey (Guitarrista e Arranjador), Vinícius Cohin
(Design) e Led Beslard (Diretor e Produtor de Vídeo)”.
O lançamento de “Eu,
Indivíduo...” deverá acontecer até novembro e estará disponível nas principais
plataformas de streaming. “Há uma expectativa para o lançamento do EP e sobre a
reação do público para com meu primeiro projeto solo, que está sendo para mim
uma experiência reveladora e extraordinária”, afirma Luidi.
Minha colaboração com o trabalho
da Lopus foi a produção de um clipe, apresentando em primeira mão a música “Em
Nome do Pai”, uma das faixas contidas no EP de estreia.
Em mais uma experiência incrível de parcerias e
colaborações, uma nova música surge para alegrar mentes e corações nesse
período tão complicado do nosso país. Devo dizer que estou muito contente com o
fato de a música “Arritmia” ter ganhado vida após alguns anos em standby. Nino
Mendes, baterista e compositor amigo meu de longa data, entrou em contato e
pediu que eu musicasse alguns de seus escritos. Criei os riffs com certa
rapidez e no processo de finalização senti a necessidade de alterar parte da
letra, o que foi bem aceito por meu parceiro musical.
Aproveitando o tempo que tenho passado em casa, em
decorrência do isolamento causado pela pandemia da Covid-19, iniciei o processo
de produção da música. Como de costume, fui gravando alguns instrumentos e
convidei alguns outros amigos músicos para deixarem suas marcas nesse registro
musical.
Para a voz, convidei o cantor e compositor Maurício Zerk,
que com seu timbre grave deu um charme particular às melodias grudentas da
canção. “Foi uma experiência nova, onde acabei navegando por ondas sonoras um
tanto diferentes do que costumo fazer e ouvir”, assinala Zerk. Sei que a
principio ele encarou tudo como um desafio, “no sentido de tentar dar uma nova
interpretação, sem fugir do contexto e da proposta que a música pedia. Foi uma
deliciosa aventura”, disse ele.
Percebi que era necessário ter um solo rápido e poderoso
para quebrar um pouco a dinâmica pop que se seguia, pra isso o exímio
guitarrista Diego Moraes foi a peça chave. “Eu fiquei muito feliz com o
convite, e de cara já aceitei. Ouvi a música e fiquei com uma ideia central na
cabeça. Durante alguns dias fui lapidando o solo até chegar ao resultado
final”, comenta Diego.
Levamos um tempo considerável para concluirmos a gravação do
vocal e do solo. E mais um tanto para a captação das imagens que compõem o videoclipe.
Isso porque fazíamos tudo à distância e minha influência na direção ficava mais
complicada. Além disso, tanto Maurício quanto Diego foram obrigados a manterem o
ritmo de trabalho em seus empregos, não tendo a mesma disponibilidade que eu
para priorizar as produções. Mas tudo foi superado e o resultado nos
surpreendeu bastante.
Zerk destaca que “Led é super exigente. Mas, sabendo lidar,
você acaba entrando no universo dele sem ferir as regras”. E reflete: “sem contar
que tudo é aprendizado. A gente aprende e ensina ao mesmo tempo e isso acaba
fluindo e trazendo muita experiência no dia a dia, num contexto geral”.
Considero esse mais um trabalho intenso, bastante excitante
e deveras revigorante. Sou grato aos amigos pela confiança e empenho em
transformar algumas ideias em algo verdadeiro e consistente. Diego espera que
“o público sinta interesse em ouvir bandas novas, com trabalho autoral. Um
público mais aberto a coisas novas, sonoridades novas. Ou, pelo menos, mais
curioso”.
Bom, nosso próximo passo agora é divulgar esse material e deixar
que as pessoas possam apreciar nossa coletiva expressão artística, se assim o
desejarem.
O Brasil está em crise e todos os lados foram afetados. O
governo atual, escolhido democraticamente, é composto por um grupo de pessoas chulas
e extremamente violentas. Nossos representantes institucionais têm demonstrado
o quanto são nocivos para o país dentro e fora do território. Todos os setores
e ministérios estão comprometidos e a degradação das conquistas progressistas
está sendo estabelecida. Um infame grupo político e ideológico que nega a
história, as diferenças, a ciência, o bom senso e a vida, está no controle e a
ignorância de um povo os colocou onde estão.
Enquanto isso, o mundo combate o surto de um vírus mortal e
o Brasil, considerando as subnotificações no momento em que redijo esse
parágrafo, já atingiu a marca de cem mil mortos. Maior parte dessas perdas é
creditada aos parasitas que estão no comando, ou aos genocidas, como são
considerados por muitos. Para quem nega esse governo, segue as recomendações da
Organização Mundial da Saúde e tem a oportunidade de ficar em casa, como eu, o
isolamento social pode ser um bom momento para se instruir, refletir, mudar
hábitos e produzir conteúdos. E assim tem sido comigo, dos males tenho tentado
extrair o melhor.
Com mais tempo disponível, após as comuns atividades diárias,
tenho me dedicado a produzir peças artísticas como músicas e vídeos. Tenho
engavetado um bom número de composições que nunca vieram à luz e, agora,
aproveito para fazer o registro delas e disponibilizá-las ao mundo dos
interessados. Aos meus olhos, o processo tem sido cada vez mais rápido, visto
que tenho feito quase tudo sozinho. Gosto e tenho procurado parcerias para colaborar
com as produções, mas poucos são os que se habilitam a participar. Entendo que
muitos não têm o mesmo tempo livre que eu. Alguns têm que ir trabalhar, outros
tem filhos pra cuidar, outros têm seus próprios projetos para dar conta e tem
também os que não têm o menor interesse. Diante das circunstâncias, tenho
adotado o método punk do “faça você mesmo” e, modestamente, os resultados têm
sido muito satisfatórios.
Evidentemente que uma atividade em equipe pode render bons
frutos. Uma produção coletiva traz uma série de aprendizados que em outras
situações não seriam do mesmo modo conquistados. Além disso, é muito bom poder
ter uma ideia a partir da ideia do outro, ter alguém com quem possa tirar uma
dúvida, conhecer e aprender algo novo que só o outro tem experiência, compartilhar
culturas e construir um bem comum. Além de que o trabalho e os esforços são ampliados
quando se tem que dar conta de tudo sozinho.
Mas, uma tarefa executada por conta própria também pode ser
algo positivo, pois o que poderia ser um obstáculo pode ser um momento de
superação. Outro fator diz respeito à responsabilidade que se assume sobre o
que der certo ou errado. O crédito é apenas seu, ninguém além de você poderá carregar
a dor ou a glória do que acontecer. Além disso, é importante não se anular, ou
seja, deixar de agir pelo fato de não ter alguém para te auxiliar em seu percurso
produtivo. Se privar da realização de
qualquer ação em razão de achar que depende
do outro para acontecer, não deveria ser levado em consideração, não pode ser
motivo de desistência.
Nessa perspectiva, acabo de produzir a música “Experimentum
Crucis”, gravando todos os instrumentos e produzindo um lyric vídeo para potencializar o sentimento que a canção expressa.
Na realidade, a composição soa quase como uma metalinguagem. Pois, é
enfrentando as dificuldades e delas acumulando experiências que podemos ter
condições de dissipar possíveis situações futuras e evoluirmos como indivíduos.
Acredito que devemos fazer o melhor que podemos, mas não devemos nos submeter a
padrões que nos acorrentem à sensação de fracasso. Façamos do nosso jeito, com
nossas verdades, respeitando o próximo, mas sem esperar por contribuição e aceitação
alheia. Somos seres sociais, de um modo geral a solidão não nos faz bem. Mas,
somos seres adaptáveis e mais do que conviver bem com o outro, devemos primeiro
aprender a nos sentir confortáveis e confiantes com o nosso próprio ser.
Durante uma conversa sobre o rumo do Brasil, após o golpe de
2016, nasceu a música “Futuro Presente”, composição feita por mim em parceria
com o músico Tony Sales. Na ocasião, estávamos no estúdio e enquanto o diálogo
se dava, fui dedilhando uns acordes e liberando umas frases, logo complementadas
por Tony. Foi um processo muito espontâneo e rápido. Apesar de termos tido condições
de iniciar o registro sonoro, até mesmo com o celular, nos contentamos em
anotar tudo apenas com caneta em papel. Demos a canção por finalizada, guardei
o rascunho e partimos para outros assuntos.
O tempo passou, mas a indignação evidenciada na conversa
permanecia. De lá pra cá o Brasil veio descendo a ladeira, como cantava Morais
Moreira e os Novos Baianos, sem freio e em velocidade máxima. Injustiças, fake
news, autoritarismo, degradação ambiental, crise econômica, corrupção,
assassinatos, fanatismo político e religioso, intolerância, racismo,
feminicídio, ideologização da educação, polarização social, tudo isso passou a
ser norma. Com a chegada da Covid-19, o descaso e as irresponsabilidades
governamentais na área da saúde mostraram-se chocantes. Ou seja, o Brasil está
nas mãos de um genocida, idólatra dos EUA, que flerta com o fascismo e ameaça a
militarização institucional completa.
Fui rever a música engavetada e percebi que quase previmos o
futuro em nosso rascunho musical sobre as possibilidades de um porvir que nos
aguardava. Mas, o futuro já estava diante de nós. As coisas foram e estão
acontecendo de imediato, nada ficou para tempos distantes. Senti então a
necessidade de expressar meu repúdio contra todas essas atrocidades e iniciei o
processo para apresentar esse material inédito (em termos de trabalho
artístico, pois a realidade que vivemos dispensa legendas) como um manifesto.
Chamei Tony, que é percussionista, para iniciarmos a gravação da música. Mas,
ele estava muito ocupado com outras atividades e não teve como participar do
projeto.
Comecei gravando umas guitarras, o baixo e testando alguns
ritmos, mas após um bloqueio criativo, solicitei ajuda a Daniel Dattoli (ex Cobalto),
que arranjou e produziu a faixa, além de se responsabilizar com a programação,
violão, guitarra e teclado. Como sempre, tive a voz de Laura Juliana dando o
brilho final. Fiquei contente com sua participação, porque a distância não
impediu que ela colaborasse e obtivéssemos um bom resultado. Juliana reside em Roraima,
mas a tecnologia e a boa vontade, tanto dela quanto de Daniel, foram
fundamentais para uma finalização exitosa.
Para incrementar a divulgação da música, resolvi fazer um
vídeo e comecei a coletar imagens na internet que reforçavam o diálogo musical.
E não foi difícil exemplificar a letra da canção. Enfim, segue aqui o resultado
final desse trabalho coletivo que, mesmo seguindo uma linguagem pop, traz a
atitude, o espírito crítico e de protesto muito comuns nas bandas de rock de
outrora. Assim, apesar de todas as agruras, ofereço esta música para celebrar
com muita alegria o Dia Mundial do Rock.